Das maravilhas de acordar cedo.
Respirar o ar frio da manhã; ele não parece aquele ar de ontem à tarde, ontem à noite, carregado de humores do dia.
Reparar que as nuvens são gélidas, moldadas pelas bordas do dia, e untadas pelo Sol em expansão. Assim, quem diria que o Sol é uma fornalha de hidrogênio?
Observá-la dormindo, mas começando a mover-se, saindo do casulo do sono, mole e relaxada, como se precisasse de guarida em nossos braços. Meninas, quando estão acordando, são uma daquelas anotações que o velhinho barbudo colocou no rodapé da sua agenda celestial, garantindo-nos a poesia logo cedo.
Rosto amassado, olhos apertados, espreguiça-se como se estivesse nascendo de novo, e esconde-se por achar estar feia. Ah, se ela soubesse…
Nas ruas, os carros ainda andam devagar. Alguns correm, pensando, talvez, que há algum lugar aonde chegar.
Nos pontos de ônibus, as pessoas exibem suas faces emburradas. Algumas sorriem, pensando, talvez, que não há lugar algum aonde chegar.
As manhãs são hospitaleiras para os velhos, que ocupam as mesas da praça, com o Sol e os pombos disputando lugar a seus pés. Depois que o astro-rei sobe, eles, os velhos, são mandados de volta às suas janelas e aos seus portões. Eles, os pombos, ficam.
Assim segue o dia com novamente suas tardes calorosos,ou frias,as noites escuras e um céu distante.
Amanhece feliz,sorri pra'quele dia que te fez acordar e mostre a luz do sol em teus dias!
Marilia Vilela

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